AS INTERAÇÕES FAMILIARES PODEM INFLUENCIAR O COMPORTAMENTO ADICTIVO

A família é componente fundamental tanto na dependência como em seu tratamento. As interações familiares podem sim reforçar e influenciar muito o comportamento do consumo compulsivo de álcool e outras drogas. Normalmente os comportamentos (e entre eles o processo de adicção) são aprendidos e mantidos dentro de um esquema de reforçamento positivo e negativo nas interações familiares.

Geralmente, os membros da família constituem as “vítimas primárias” da dependência, além do próprio paciente. Vitimização, superproteção, culpas, raiva, privações e desespero são sentimentos observados em familiares do dependente que inicia o tratamento.

Agressões físicas, furtos e negligência dificultam ainda mais a situação familiar, com consequências diretas em todas as suas relações pessoais. A família se torna, assim, uma parte significativa do problema e fator de sua amplificação.

Durante o tratamento sempre deparamos com familiares com conhecimentos insuficientes sobre a dependência química para compreender a necessidade da participação no processo terapêutico e poder lidar satisfatoriamente com o problema. Preconceitos e sofrimento acumulado interferem no processo terapêutico.

Existe uma tendência dos familiares se sentirem culpados e envergonhados por estarem nesta situação. Infelizmente, devido a estes sentimentos, muitas vezes a família demora muito tempo para admitir o problema e procurar ajuda externa e profissional, o que leva o problema a ser ainda mais agravado.

O momento da internação de um dependente químico quase sempre traz não só ao próprio dependente, mas, principalmente à família, sentimentos de dúvidas, medo e insegurança – que acabam gerando muitos conflitos.

Comumente o momento da internação é antecedido por várias tentativas (paliativas) de recuperação com o objetivo de evitar uma internação. Provavelmente, há a intenção e a esperança de acertar, mas, infelizmente estas tentativas paliativas não funcionam! Inicia-se então, uma intensa e cansativa busca de um tratamento adequado. Nesta fase a família já se encontra quase sempre esgotada, desestruturada, sem esperanças e completamente adoecida.

Assim sendo, no período de internação do dependente químico deve-se ter como um dos objetivos a conscientização da família sobre a seriedade da doença da adicção, a dificuldade de vivenciar situações tão destruidoras sozinhos, e, paralelamente, alertá-la sobre a importância da busca de mecanismos de ajuda adequados como: profissionais especializados, grupos de apoio (AA, NA, Amor Exigente) etc., que a oriente e possa prepará-la para conviver adequadamente com esta doença. Caso contrário, a desordem estabelecida nesta família só vai se agravando.

Durante o tratamento do paciente na Grand House procuramos ajudar aos familiares a reavaliarem sua postura, conduta, posicionamento frente ao dependente químico. Além disso, a terapia é uma forma dos familiares também receberem apoio e amparo.

Também incentivamos a família começar discutir seus (pré-) conceitos, melhorar a qualidade das relações interpessoais para criar uma real estrutura de suporte ao paciente que auxilie em sua reabilitação.

As famílias precisam lidar com mal-entendidos, defesas mal-estruturadas, estigmas e sua própria ignorância em relação às diversas dimensões do problema da dependência de substâncias psicoativas.

Faz-se necessário que a família aprenda a não “sabotar” o processo de recuperação do paciente e até mesmo sua abstinência. Muitas vezes a própria família não suporta ver seu familiar bem, pois sente-se insegura sobre sua própria vida e acaba encontrando formas (inconscientemente) de fazerem o seu familiar recair! O que faço agora com a minha vida se ele não precisa de mim? Terrível engano, pois é neste momento que o dependente químico em recuperação mais necessita da família.

Os profissionais já se acostumaram com perguntas de familiares do tipo “Mas se ele é dependente de cocaína, por que não posso oferecer uma cervejinha pra ele no churrasco, junto com a família?”.

A mudança no estilo de vida, objetivo final do tratamento da dependência, também é a proposta de nosso modelo terapêutico.

Não existe um único tratamento que sirva para todos; uma fórmula, um remédio. Algumas pessoas podem ter excelentes resultados com os grupos de auto-ajuda, outras não se sentiram confortável nesta situação preferindo um atendimento médico. O tratamento mais indicado surge após algumas conversas e tentativas, e envolve a participação do dependente, da família e da equipe de profissionais multidisciplinar responsável.

Por isso, algumas vezes é necessário que a família encontre, além do trabalho com grupos de ajuda, alternativas tais como: uma terapia individual, de casal e outras com o objetivo de facilitar a compreensão e aceitação não só da doença, mas das mudanças quem se fazem necessárias em seus próprios comportamentos.

Se você, como familiar, não está bem, se ainda não conseguiu se recuperar das questões emocionais negativas e viver sua própria vida como pode esperar que seu familiar internado volte ao seu lar e faça isto?

O paciente volta ao lar após um período de recuperação e precisa encontrar um novo ambiente, ele sai em recuperação, mas e o familiar, continua com todos os comportamentos iguais, fragilizados, cheios de mágoa e dor?

Durante as reuniões de terapia familiar na Grand House as famílias encontram pessoas que vivenciam o mesmo problema e trocarão experiências, sentimentos e saber como estas pessoas lidam com todas estas questões.

O tratamento ajuda a resgatar aquilo que você deixou para trás, a sua própria vida!

Ensine a viver vivendo bem, não é possível que você devolva a identidade do outro sem que você resgate a sua!

Colaboração de Robson Soares
Líder Técnico dos Conselheiros da Clínica Grand House
e Terapeuta Familiar
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Tel: 11 4483 4524 /4483 4684

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Recaídas

trashUma das palavras mais temidas quando falamos sobre dependência química é a “RECAÍDA. Porém, todo dependente químico deve estar atento ao processo de RECAÍDA, pois é um risco presente constantemente nesta doença!

É muito comum vermos pessoas que passam por tratamento relacionado à dependência química (e que muitas vezes ficam muitos anos limpos) voltarem ao consumo de drogas.

Exemplo público disso é o ator Philip Seymour Hoffman, encontrado morto no apartamento em que estava morando, em Manhattan, Nova York. O corpo do premiado ator, de filmes como Capote (2005), pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Ator, foi resgatado no banheiro do local na manhã do último domingo, dia 02/02/14, pela polícia.  Hoffman estava com 46 anos.

De acordo com o site TMZ, a principal suspeita é de que ele tenha sido vítima de uma overdose, já que a polícia teria achado 50 bolsas com heroína. O site ainda informa que havia uma seringa no braço do ator. Existe a suspeita de que tenha misturado heroína e o medicamento Fentanyl – potente para pacientes com câncer terminal e que cujo uso pode causar o fechamento das vias respiratórias – uma combinação letal.

Philip Seymour Hoffman enfrentava uma batalha de anos contra a dependência química, porem afirmou por diversas vezes que nunca deixou de ter vontade de usar drogas, ele apenas interrompeu o uso por 23 anos. Em 2012 ele teve uma RECAÍDA e em maio de 2013 foi internado em uma clínica de reabilitação por conta do uso de heroína, mas permaneceu lá por apenas 10 dias. Philip Seymour foi visto muitas vezes bebendo dias antes de morrer.

Muitas vezes as RECAÍDAS ocorrem pela falta de observação dos sinais de risco, por comportamentos inadequados, pelo tratamento impróprio ou incompleto, pelo não envolvimento da família no tratamento, enfim diversos motivos podem levar ao processo de RECAÍDA.

O processo de prevenção a RECAÍDA é um trabalho de reeducação dos comportamentos para que o dependente químico nunca faça novamente o primeiro uso da droga, pois basta apenas “um gole”, uma simples “tragada” para que ele recaia totalmente e volte à ativa, da mesma forma que antes.

Ainda que recomece o uso com doses menores a tendência é voltar ao mesmo padrão de consumo anterior ao tratamento (ou até mais intenso) uma vez que a dependência química é uma doença progressiva e o corpo e o cérebro irão sempre solicitar quantidades maiores para que se tenha o mesmo prazer.

Aprendemos através de anos de estudos e cuidados aos nossos pacientes, que a interrupção do uso de qualquer substância pela qual se tenha compulsão e/ou dependência não significa a solução do problema.  O comportamento compulsivo costuma ser precedido de ansiedade e depressão, o que confirma a necessidade de um trabalho muito além da abstinência. Parar com o uso dos objetos de compulsão é um grande passo, mas não é o único.

Embora a grande maioria compreenda a RECAÍDA como retomada do uso, esta é apenas a consequência de inúmeros fatores e sentimentos ainda não elaborados.

A RECAÍDA não se inicia com a ingestão da substância, ela começa dias ou até meses antes do consumo, começa com a RECAÍDA emocional e comportamental e é neste período que fatores predisponentes atuam colocando em risco a manutenção da abstinência e levando o indivíduo, novamente, ao hábito alcoólico.

A prática clínica tem nos mostrado, que a RECAÍDA pode fazer parte do processo de recuperação mesmo em pessoas altamente motivadas.

É neste sentindo que dizemos que o processo de recuperação é lento, pois para alguns é através de algumas RECAÍDAS e o conhecimento adquirido (somando-se ao desejo de vencer as drogas) que muitos conseguem deixá-la definitivamente.

A intenção de amadurecer psicologicamente pode fazer da RECAÍDA um momento importante de aprendizado e autoconhecimento.

Para evita-la, no entanto, é necessário saber identificar as situações de risco, dos fatores antecedentes, promover a mudança do estilo de vida e principalmente mudança dos maus hábitos provenientes da época da ingestão das substâncias e que se mantiveram, mesmo após a cessação do uso da droga, recuperar o prazer de viver, buscar outras fontes de prazer assim como buscar a reinserção social e, principalmente, nunca se isolar – deve-se estar em constante contato com grupos de autoajuda.

Infelizmente existem muitos dependentes químicos como Philip Seymour Hoffman que recaem e morrem todos os dias de overdose por falta de tratamento adequado, este é apenas um caso entre centenas.  O custo da RECAÍDA é muito alto e muitas vezes pode custar a própria vida!

No entanto todo processo de RECAÍDA pode ser percebido, identificado, intervindo e eliminado com o tratamento adequado!

Nunca deixe de procurar ajuda!

Clínica Grand House
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Tel: 11 4483 4524

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Autocrítica e Autocobrança

???????????????????????????????Não apenas do ponto de vista social, mas também da saúde mental, o equilíbrio e coerência das condutas é o que determina a harmonia fundamental para a manutenção da vida. Na medida em que tomamos consciência sobre as coisas, inevitavelmente, nos tornamos mais responsáveis.Isso é o que define o fenômeno do amadurecimento.

O dependente químico em recuperação, tendo passado ou não por um tratamento, comumente detém prejuízos de ordem biopsicossociais e vive exatamente os conflitos desencadeados por esse processo, pois fatalmente se depara com circunstâncias que lhe exigem condutas diferentes de outrora para que não encontre o caminho de uma recaída.

No universo da dependência química é muito comum encontrarmos características como a baixa autoestima, enorme impulsividade, baixa tolerância às frustrações, dificuldades em seguir normas e regras básicas de convivência, dentre outros. O indivíduo que entra em recuperação necessita, em alguma instância, rever comportamentos desajustados originados de experiências e/ou crenças autodestrutivas e que são causadores de seus sofrimentos.

O ideal é alçar um planejamento terapêutico e psicoeducativo junto a novas propostas de enfrentamento para com as situações adversas e, consequentemente, a mudança de pontos de vista que viabilizem a resolução de problemas.

Basicamente, a ideia é fazer com que ele resgate seus valores respaldados pela ética e cidadania, que retome seus direitos e deveres, identifique suas principais dificuldades e virtudes individuais, bem como a importância de que compreenda os limites invisíveis presentes nas interações sociais.

A pessoa submetida a essa terapêutica tem maior chance de vivenciar o reencontro com o “Eu” e o reconhecimento de seu papel social, desde a unidade familiar elementar até às relações mais abrangentes.

A palavra autocrítica designa a capacidade de rever os próprios atos, especialmente os erros eventualmente cometidos e suas perspectivas de correções e aperfeiçoamentos. Esta palavra está diretamente correlacionada ao termo autocobrança o que, por sinal, é importante para qualquer ser humano e sua adaptação ao meio, porém para alguém em recuperação, se não ocorrer na medida certa, pode se tornar um grande fator de risco. Afinal, vale a mesma regra, ou seja, a capacidade de modular essa característica, pois em muitas circunstâncias haverá tomadas de ações equivocadas, destemperos, erros de julgamento e turbulentos desfechos de problemas. As frustrações aparecerão no caminho da recuperação e uma autocobrança elevada à sua máxima potência pode contribuir para o não reconhecimento e, tão pouco, a valorização das condutas bem sucedidas.

Por trás da autocobrança exacerbada costuma residir o perfeccionismo, um possível vilão para este público. O adjetivo não é necessariamente negativo, mas é importante salientar que estas pessoas, em especial, podem construir sua auto-sabotagem se não virem relevância em seus esforços somados para a modificação de seu estilo de vida, acabando por desanimarem e/ou desistirem de tal proposta. Por outro lado, se a autocobrança for inexistente não há desafios, não há subsídio para mudanças nem apropriação de responsabilidades e, portanto, não há terreno fértil para a recuperação.

Enfim, o “caminho do meio” parece ser o mais razoável e funcional, pois contribui para a edificação de virtudes como a paciência, tolerância, perseverança e humildade. Afinal, assim como a patologia da dependência química, a recuperação também é progressiva e se consolida com o tempo, com suas respectivas conquistas, com o descobrimento de novos prazeres e, finalmente, com o reconhecimento de um propósito de vida legítimo, de algo que faça sentido e que efetive sua sensação de produtividade na sociedade.

Alexandre Borghi Kuhl
Psicólogo Especialista em Dependência Química
Clínica Grand House
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Tels: 11 4483-4524 / 4483 4684

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Perfeccionismo

rubens torquetoO perfeccionismo consiste na crença de que não se pode errar e que sempre se deve alcançar a perfeição. Uma pessoa perfeccionista considera inaceitável qualquer coisa que não seja perfeita, organizada e sistemática, podendo dar origem, inclusive, a um Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Indivíduos que possuem traços perfeccionistas têm a tendência a imporem a si mesmos a perfeição como meta em todos os aspectos de suas vidas, ocasionando expectativas irreais para si mesmos, especialmente pelo fato dessas expectativas, na realidade, não passarem de algo verdadeiramente ilusório.

Geralmente, o perfeccionista tem sua raiz na família. Pais autoritários, exigentes excessivamente, críticos e difíceis de serem agradados, muitas vezes, transferem essas características aos seus filhos, sem assim perceber. Outras vezes, o que ocorre é a presença de um sistema de “negociação”, por intermédio de situações do tipo: “Se você se comportar, eu compro um sorvete para você” ou “Se você for bem na escola, eu lhe darei uma bicicleta” ou ainda “Se você parar de usar drogas, eu…”. Diante disto, os pais são, nestes casos, incapazes de validar e aprovar a conduta dos seus filhos, mesmo quando estes cometem erros, algo fundamental para que todo ser humano possa desenvolver uma imagem própria.

Segundo estudos, o perfeccionista compulsivo atua impulsionado pela motivação negativa interna, evitando a desaprovação, rejeição e crítica negativa, se remetendo a lembranças do tratamento que recebera dos seus pais. Entretanto, na realidade, o que ocorre é que “A auto-exigência desproporcional não leva à excelência e nem à perfeição”.

CARACTERÍSTICAS DO PERFECCIONISTA

  • Insatisfação pessoal – desaprova tudo o que faz, sendo severamente crítico consigo mesmo e com os outros, focando somente nos erros. Desta forma, sofre bastante com o medo de errar.
  • Funcionamento lento – funciona lentamente, pois, devido à sua insegurança, sente a necessidade de rever tudo o que fez.
  • Metas ilógicas – possui metas racionalmente impossíveis de serem atingidas e estabelece prazos impossíveis de serem cumpridos, gerando, como resultado, a frustração (ex: perder vinte quilos em um único mês).
  • Negativismo – é negativo em sua maneira de pensar e rígido em sua maneira de fazer as coisas, tendo um pensamento polarizado, ou seja, acredita que só existem duas escolhas: bom ou ruim, lindo ou feio, perfeito ou imperfeito. Deprime-se quando ocorrem mudanças em sua vida.

ESTRATÉGIAS PRÁTICAS PARA SAIR DO DESCONFORTO
GERADO PELO PERFECCIONISMO

  1. Aceitar-se como é – desta forma, começa a trabalhar e fazer o necessário para conseguir um caráter maduro e equilibrado.
  2. Já que o tempo não para, não parar no tempo – dar-se permissão para errar sem se castigar física ou mentalmente.
  3. Não ter o erro como inimigo – lembrar que cometer novos erros é edificar-se diante do futuro.
  4. Não permitir que os pensamentos negativos sejam alimentados – esses pensamentos, quando aflorados, boicotam toda a possibilidade de sucesso.
  5. Não se comprometer com expectativas alheias – buscar não se permitir a ter pensamentos do tipo “Eu deveria…” e  “Seria melhor se…”.
  6. Auto-vigilância – praticar a excelência, que não é, obrigatoriamente, a perfeição. Desta forma, se criará habilidades para a busca por melhorar-se continuamente.

Rubens Turqueto Junior
Técnico Conselheiro
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Tels: 11 4483 4524 / 4483 4684

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Qual a relação das drogas no desenvolvimento de doenças mentais?

O transtorno mental pode ocorrer antes de a pessoa se tornar um dependente químico ou depois, como consequência do uso de substâncias químicas, e de certa forma ser mascarado ou ainda potencializado pelo uso de droga.

No caso do aparecimento de doenças mentais originadas pelo uso contínuo de drogas, podemos afirmar que qualquer substância química (seja ela lícita ou não) pode lesar o cérebro e trazer sequelas – cuja intensidade e gravidade sempre dependerão do tipo de droga utilizada, do tempo de uso e da suscetibilidade individual.

Estas complicações psiquiátricas podem aparecer enquanto a pessoa faz uso ativo da substância ou até mesmo após um tempo considerável de abstinência. As complicações psiquiátricas após a interrupção do consumo podem estar relacionadas a sintomas de abstinência tardios que deixam o indivíduo ansioso e inquieto.

Entre os quadros mais comuns de comorbidades psiquiátricas em dependentes químicos, destacam-se a depressão e quadros de ansiedade, tais como transtorno do pânico e ansiedade generalizada. Quadros psicóticos (semelhantes à esquizofrenia com delírios e alucinações) e transtornos da personalidade, além de outros comportamentos compulsivos, também apresentam estreita correlação com o abuso de substâncias e podem ocorrer de forma aguda durante o consumo (desaparecendo completamente após tratamento específico) ou até permanecer indefinidamente.

Essa última situação é mais comum em indivíduos que já eram predispostos à doença, sendo o consumo de drogas o fator desencadeante de sua emergência.

Há evidências de que mesmo o uso infrequente e de pequenas doses de drogas, podem levar o indivíduo com transtornos mentais graves a consequências mais sérias do que as vistas na população geral.

O tratamento do dependente químico que também é portador de outra doença mental tem resultados melhores quando se integra o tratamento dos sintomas psíquicos do eventual transtorno com atitudes direcionadas à dependência. A existência de comorbidade aumenta a dificuldade no controle de cada doença isoladamente, ou seja, é mais complexo tratar um paciente deprimido e dependente de cocaína do que o tratamento da depressão ou dependência à cocaína isoladamente.

O maior problema decorrente da associação entre outros transtornos psiquiátricos e abuso e/ ou dependência de substâncias é o diagnóstico diferencial e consequentemente, o planejamento da intervenção, pois ocorre uma superposição de sintomas, tanto da ansiedade como da intoxicação ou síndrome de abstinência de substâncias. Um transtorno pode exacerbar ou mascarar o outro.

O diagnóstico adequado feito pela equipe médica e terapêutica deve levar em consideração:

  1. Histórico familiar e questões específicas sobre possíveis distúrbios psiquiátricos. As informações devem ser colhidas junto ao paciente e também a familiares e amigos.
  2. Exames laboratoriais e possíveis alterações ocorridas pelo consumo crônico de álcool, alterações metabólicas e hormonais, doenças infectocontagiosas, exames neurológicos e detecção de drogas na urina.
  3. Questionários ou testes específicos, por exemplo, o Exame Neuropsicológico (que é uma avaliação detalhada e objetiva das principais funções mentais: atenção, memória, linguagem, raciocínio lógico, planejamento, percepção visual, capacidade aritmética, etc. Para isto, são utilizados testes específicos, além de questionários e inventários aplicados por profissionais especializados).
  4. A observação clínica que deve ser feita pela equipe durante o período de desintoxicação. A persistência ou não de sintomas psiquiátricos após este período pode facilitar o correto diagnóstico.
  5. Conhecimento adequado da equipe médica e aplicação dos critérios diagnósticos da CID-10 e da DSM – IV para detecção das principais comorbidades associadas à dependência química.

Além de proporcionar o não uso da substância, o tratamento tem que objetivar assistir intensivamente a eventual síndrome de abstinência, a correção de estados agudos de ansiedade e depressão, as idéias delirantes e as eventuais alucinações que possam surgir.

Por isto, é de extrema importância que o processo terapêutico envolva sempre o acompanhamento da equipe médica para que possa ser feita a correta avaliação e verificação de possíveis comorbidades nos pacientes com dependência química para que haja realmente maior eficácia e aderência ao tratamento e para que seja possível alcançar e tratar, mediante os instrumentos adequados para cada uma das reações (seja por medicação, seja por terapia), as patologias que co-ocorrem sem deixar de lado nenhuma delas.

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Tratamento involuntário funciona?

Acredita-se que o sucesso no tratamento de dependência química baseia-se na aceitação do adicto em procurar ajuda. Nem sempre isto acontece. A própria família, em muitos casos, reluta em admitir que seu ente querido tornou-se dependente de drogas.

É quando os familiares percebem que o único caminho a seguir é o encaminhamento para um processo especializado de recuperação – e é aí que começa uma nova batalha: quando o adicto se recusa a receber ajuda.

Existe a possibilidade da internação involuntária e ela somente pode ser realizada mediante alguns aspectos. O primeiro é a comprovação de que o vício está de fato afetando as condições psíquicas de tomada de decisão pelo dependente. Ele já não consegue escolher parar de usar drogas, não consegue imaginar sua vida sem as drogas, perdeu a capacidade de decisão e de pedir ajuda. Não quer realmente parar de utilizar drogas e é possível até que diga que “quer morrer usando drogas”. O segundo é que somente um membro cosanguíneo do dependente pode solicitar a internação involuntária (por exemplo: a mãe, pai, irmãos) – uma companheira, namorada ou esposa já não poderia solicitar este tipo de internação, segundo o que está determinado pela lei.

A internação involuntária deve ser feita por uma equipe especializada e começa no delicado trabalho de remoção do paciente. É recomendável que a família esteja ciente e em concordância com as práticas da clínica, em especial no que tange à segurança e integridade física e mental do paciente.

Na ocorrência da remoção do paciente para a clínica, o trabalho em algumas situações precisa ser realizado com a presença de psiquiatra e uma equipe treinada para realizar o procedimento com total discrição de modo a preservar a integridade física e moral do paciente.

O tratamento involuntário pode levar mais tempo do que a internação voluntária. Isso porque será necessário um tempo de trabalho de conscientização de que é preciso interromper o uso de drogas e iniciar uma reeducação física e mental para a libertação do vício.

Um tratamento só tem efeito sobre um paciente quando há aderência. E, certamente, adesão é muito diferente de desejo. O simples desejo do paciente em se tratar ou não, não tem o poder de interferir na efetividade do tratamento existente para qualquer enfermidade.

Portanto, mesmo os pacientes involuntários acabam, após um certo tempo, aderindo ao tratamento e reconhecendo que “foi a melhor coisa que poderia ter acontecido em suas vidas”, pois sem este tipo de intervenção não teriam tido condições de recuperação.

A orientação da família também se faz necessário, seja qual for o tipo de tratamento.

Procure ajuda!

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DEPENDÊNCIA QUÍMICA: A DOENÇA DA NEGAÇÃO

Negação em dependência química é um dos maiores obstáculos iniciais a serem superados no tratamento.  Nem todos os indivíduos que fazem uso e abuso de substâncias psicoativas reconhecem que têm um problema.

A Dependência Química é conhecida entre os profissionais como a “Doença da Negação”!

A negação geralmente aparece não apenas para usuário de álcool e/ ou outras drogas, mas aparece também na família, entre os amigos e até mesmo no ambiente de trabalho. Todos se negam a ver o problema, principalmente o dependente.

Geralmente a famílias e pessoas envolvidas começam a inventar “desculpas” para o comportamento anti-social que a pessoa passa a apresentar, não querem pensar na possibilidade de que ele (ou ela) esteja fazendo uso de drogas.

Apesar de estarem todos envolvidos no problema ninguém pede ajuda, nem o dependente e nem sua família, pois não aceitam que exista de fato um problema.

Todos acreditam que o que alcoolismo e/ou uso de outras drogas acontece sempre no vizinho, na família do outro – nunca dentro da própria casa.

Isto acontece muito porque nossa sociedade, apesar de tantas discussões acerca do tema, ainda não vê a dependência química como doença. Infelizmente a maioria da população ainda vê o dependente químico como um delinquente, como um marginal.

E a fase da negação é semelhante ao processo de luto – extremamente doloroso:

  1. Primeiro há a negação e o isolamento, você realmente não aceita que está acontecendo isto na sua família, nega e se isola: “Isso não pode estar acontecendo”. Ou então: “eu não sou alcoólatra, eu paro quando quiser”. Uso drogas “de vez em quando”, posso parar a qualquer momento (mas nunca consegue parar).
  2. Depois acontece o processo de raiva: “Por que está acontecendo isto comigo? Não é justo.”
  3. Em seguida vem a culpa, a auto-censura, a frutraçao: Há um sentimento de culpa por não se ter sido suficientemente bom para o seu familiar, por não ter notado o problema antes, por ter sido permissivo, ou mesmo por você mesmo ter iniciado nas drogas.
  4. Existem também outras fases intermediárias, como o choque, a solidão, a ansiedade,
  5. Por último vem uma tristesa imensa ou até depressão: “Que tristeza imensa. Para que continuar lutando? Nada vale a pena. Quero desistir de tudo! Já não tenho mais forças.”

É preciso ter a consciência de que a dependência química é uma doença e, como tal, precisa ser tratada. Existe recuperação, mas para isto você deve buscá-la através de tratamento especializado.

Costumamos encontrar pais e mães no auge do desespero que não conseguem compreender que o filho está doente e que precisa de ajuda profissional. Simplesmente, acham que de alguma forma o problema se resolverá sozinho, não sabem o que fazer. Ou mesmo que é uma “vergonha” pedir ajuda para este tipo de problema.

Você sem duvida já ouviu a expressão: “O tempo cura todas as feridas¨ – mas infelizmente isso não é verdade na dependência química, com o tempo o problema só se agrava já que esta é uma doença progressiva. A verdade é que muitas vezes o tempo torna as coisas ainda piores. Portanto, negar é a pior coisa que se pode fazer, só irá agravar cada vez mais o problema.

Somente quando há a real aceitação e você pensa: “Tudo vai acabar bem, posso até pensar em buscar ajuda!” é que existe alguma possibilidade de resolver o problema.

Somente quando realmente se vence esta fase de negação é que se torna possível atuar de forma eficaz sobre o problema do abuso de drogas e buscar tratamento adequado.

Se este é o seu caso, pare de se torturar com este problema, busque já uma ajuda profissional. A dependência  química já virou uma epidemia em nosso país, portanto não tente resolver sozinho(a) o que já não está mais sob o seu controle!

Clínica Grand House
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